Não é meu direito

[eu não sei muito bem o que essa música tem a ver com esse post inteiro, mas pensei nela, então, curta a música e boa leitura!]

Cara, eu vi uma cena hoje que me deixou pensativa. Que egoísta que sou! Na geral, todos somos neste sentido. A gente supervaloriza nossas próprias angústias, dores e nem se quer enxerga que outras pessoas sofrem de verdade lá fora. Saúde definitivamente é o nosso bem maior, que eu tenho de sobra, jamais posso reclamar do rumo que a minha vida maluca tomou, jamais. não tenho direito de chorar por nada que está acontecendo, merda nenhuma, e olha que são muitas! mas não é nada comparado a dor de quem tem um filho inválido, um pai que vê o filho morrer de fome na sua frente, filhos que têm sua mãe no hospital morrendo de câncer. Não é pior que isso.

Quando alguém dizia algo tipo “dor de dente é pior que dor de ouvido”, eu sempre respondia “a pior dor é aquela que você está sentindo na hora”. Levando isso pro lado humano, será que eu vivi mesmo esse tempo todo pensando “a pior dor é a minha e pronto”? Cara, espero que não. Não quero ser uma pessoa assim, não mesmo. Eu sou egoísta, mas esse egoismo eu quero que passe longe de mim.

O meu problema é mesmo tão grande a ponto de eu negar um sorriso para quem está me servindo? Minha dor é tão grande para que eu queira acabar com minha vida? Não apenas no sentido de se matar, mas fazer qualquer coisa idiota com o próprio corpo (100% saudável), tipo beber até cair, se drogar, sair com qualquer pessoa. Claro que não, quem sofre de verdade, inclusive, nem tem tempo para pensar nessas coisas.

Quem tem problemas de verdade, como a mãe que eu vi hoje, carregando uma criança em pele e osso, toda torta, sem movimentos, no colo, usando transporte público que, provavelmente, estava indo para um hospital público procurar pelo serviço de emergência. Então, quem tem problemas de verdade está lá fora lutando. Enquanto eu, em perfeito estado, dentro de um carro com ar-condicionado, ouvindo música, conversando com meus amigos, indo para minha casa, onde estavam os meus pais me esperando… triste com a vida. Sem motivo, cara. Eu não tenho direito de reclamar. E não sou a única. Todo mundo se acha nesse direito.

Quero deixar registrado que eu estou com vergonha de mim. Vergonha do meu dinheiro mal gasto, vergonha das prioridades que meu coração estabelece pra mim, vergonha de não ter coragem de renunciar nem 10% do que eu tenho por alguém que não tem nada.

E se eu não me levanto pra fazer merda nenhuma em relação a isso, pelo menos, eu decido que não quero reclamar do calor que está fazendo, reclamar do que eu tenho em casa pra comer ou vestir. Não quero reclamar porque uma pessoa no mundo inteiro me deu as costas, não quero reclamar porque o meu coração “às vezes dói” se tem pessoas que dizem “só às vezes o meu coração pára de doer”. Com certeza a minha vida poderia ser muito pior.

De hoje em diante eu não vou mais negar um largo sorriso, não vou negar não apenas a boa educação, mas o bom dia sincero, a tolerância, a paciência, a bondade. Eu não vou negar a ninguém a esperança de ter um dia melhor.

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5 Resultados

  1. Dani Antunes disse:

    Definitivamente, baby. Acho que a música tem sim a ver com o post.
    “Everybpody’s free”. Free, freedom… Liberdade de expressão. :)
    Foi no que eu pensei ao ler o post.
    Sempre soube que vc escrevia (muito) bem, mas não sabia que vc tinha blog.
    I’ll be back… hehehe

    Ah!! E, isso aqui:

    “Quero deixar registrado que eu estou com vergonha de mim. Vergonha do meu dinheiro mal gasto, vergonha das prioridades que meu coração estabelece pra mim, vergonha de não ter coragem de renunciar nem 10% do que eu tenho por alguém que não tem nada.”

    Somos duas. ;)

    Bj

  2. severina JJ disse:

    ótimo post, Parabéns pelo blog! possue um conteudo muito bom, estou sempre acompanhando. Quando poder visite o meu tb, tem um conteúdo legal, http://sofamosidade.blogspot.com bjs

  3. Jany soares disse:

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  4. João disse:

    Parabéns pelo post, é muito útil mesmo!

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